ECONOMIA
Alta renda tem mais relacionamentos bancários do que a média da população, diz Google
O público de alta renda tem, em média, 8,7 contas em diferentes instituições financeiras, contra 4,1 da população em geral.…

O público de alta renda tem, em média, 8,7 contas em diferentes instituições financeiras, contra 4,1 da população em geral. O dado é de uma pesquisa do Google sobre o público “privilegiado” — como eles mesmos se definem —, com renda familiar mensal a partir de R$ 15 mil. “Esse cliente tem mais oportunidade de fazer comparações entre as suas instituições financeiras. A gente tem visto várias instituições que antes trabalhavam com um só produto oferecerem cada vez mais soluções para os seus clientes. Então, esses clientes estão dizendo para a gente que estão experimentando muito mais instituições”, afirmou Renata Blay, líder de Insights Estratégicos do Google Brasil. “Eles também têm mais produtos do que a média da população.” Enquanto a alta renda tem, em média, 5,6 produtos financeiros, a população em geral tem 4,6. O acesso aos produtos também é diferente. Segundo os dados da pesquisa do Google, 92% do público de alta renda tem cartão de crédito, enquanto 45% têm financiamento. Na população em geral, esses números são de 80% e 36%, respectivamente. Por outro lado, 46% da alta renda têm empréstimos e crédito pessoal, contra 63% da população como um todo. “O empréstimo tem uma demanda menor, porque queiram ou não, eles [alta renda] são pessoas que não precisam do crédito como o restante da população brasileira, que utiliza o crédito inclusive como uma complementaridade do orçamento mensal”, explicou Marcel Bozo, líder de Indústria de Finanças no Google Brasil. “Eles têm uma demanda, mas ela é mais qualificada no sentido de onde alocar isso. […] Então, essa é uma dinâmica de uso de crédito mais saudável.” Os clientes de alta renda fazem uso “pontual” de empréstimo, e, por outro lado, acessam mais cartão de crédito e financiamento. Mesmo o cartão de crédito, segundo Bozo, esse público não usa como “alavancagem”, mas para acessar benefícios. As maiores diferenças em produtos aparecem em seguros, presentes em 68% da população de alta renda, contra 33% da população geral, e em contas globais, com 57% ante 31%. A poupança também é mais presente entre a alta renda, (68% versus 57%), assim como investimentos (76% versus 74%) e conta corrente (92% versus 83%). Entre os usuários de cartão de crédito, 89% consideram fundamental não ter anuidade; 87%, ter programa de fidelidade; e 86%, contar com limites de crédito mais altos. Em empréstimos, 87% buscam as menores taxas e 86%, um limite que atenda às suas necessidades. Em investimentos, 90% consideram fundamental a reputação da instituição financeira em gestão de patrimônio; 89%, que a instituição entenda suas necessidades para oferecer os melhores produtos; e, empatados com 88%, produtos com retornos mais atrativos e conhecer de tudo um pouco de economia e finanças. A maioria dos respondentes (53%) disse saber muito sobre finanças. Por outro lado, 52% afirmaram nunca ter tido educação ou orientação financeira em casa ou na escola, e 43% acham difícil entender sobre investimentos. Para Bozo, a oferta de investimentos de forma simplificada é uma alavanca de penetração no público de alta renda. “A gente está vendo as instituições financeiras tentando trazer esses investimentos como uma forma de ‘funding’ e, ao mesmo tempo, […] isso passou a ser uma alavanca de principalidade para a alta renda. Então, os investimentos têm dois lados da moeda.” Quem são os “privilegiados”? A pesquisa do Google entrevistou quase 800 pessoas com renda familiar acima de R$ 15 mil. Destas, 80% são casadas e 84% têm filhos. Elas têm, em média, 2,2 dependentes. Os dados da média geral da população são de uma pesquisa anterior do Google, realizada em 2025 sobre principalidade. Entre os entrevistados, 95% se definem como “privilegiados” em algum nível — porque têm acesso à educação de qualidade, saúde e conforto para planejar o futuro. Apenas 14% se disseram ricos, sendo que a definição de rico, para eles, é ter maior patrimônio e poder de escolha. “Para a gente entender o que significa ser privilegiado, a gente está falando, principalmente, de ter acesso. Acesso ao quê? À possibilidade de oferecer a melhor educação para os seus filhos e acesso à saúde”, detalhou Blay. “Então, hoje, ter acesso a bons planos de saúde, a bons hospitais, isso é super valorizado e percebido. Você ter acesso a tudo isso significa que você é uma pessoa privilegiada.” Para esse público, o valor médio a ser guardado, capaz de garantir liberdade financeira, é de R$ 17 milhões. “Acho que é menos sobre julgar como eles fazem essa conta. O insight importante é que as pessoas estão se programando e fazem essa conta. Não só qual que é esse fim, esse dinheiro que elas precisam atingir, mas como elas se organizam para chegar lá e quanto que elas têm que poupar”, afirmou Blay, acrescentando que isso é uma oportunidade para as instituições financeiras. A maior parte dos respondentes (91%) quer guardar dinheiro para ter mais tempo livre. Para 93% deles, esse tempo seria gasto com prazeres cotidianos, como fazer coisas que relaxam, assistir a séries e filmes em casa ou fazer compras. Também 93% apontaram prazeres culturais e sociais, como viajar ou conhecer novos restaurantes. Para 89%, sentir que estão investindo bem o dinheiro também é um objetivo. Além disso, eles se preocupam com a família, sendo que 70% disseram que seus sonhos são os da família — definida como pais e filhos, principalmente, visto que 47% concordam que marido e mulher podem mudar. Para esse público, 76% consideram que poder mandar os filhos estudar fora é algo que representa riqueza.
Perguntas frequentes
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- Sobre o que trata “Alta renda tem mais relacionamentos bancários do que a média…”?
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