INTERNACIONAL

Wall Street estende perdas com disparada do petróleo a US$ 107 e Fed no radar

Os índices de Wall Street tiveram uma nova sessão marcada pela aversão a risco com a perspectiva de uma guerra…

Os índices de Wall Street tiveram uma nova sessão marcada pela aversão a risco com a perspectiva de uma guerra prolongada no Oriente Médio, o que impulsionou o petróleo Brent para acima dos US$ 107, e de alta na inflação, reforçando a perspectiva de um Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) mais agressivo na condução da política monetária.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,60%, aos 52.064,46 pontos;
  • S&P 500: -0,58%, aos 7.591,79 pontos;
  • Nasdaq: -0,65%, aos 26.081,725 pontos.

Petróleo salta

A escalada dos preços do petróleo ocorre em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio. Nesta quinta-feira, rebeldes houthis assumiram o controle da estratégica cidade portuária de Mocha, na costa oeste do Iêmen, ampliando sua presença nas proximidades do estreito de Bab al-Mandeb, corredor marítimo considerado uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz para o transporte de petróleo.

As preocupações com a oferta também foram reforçadas por informações do Wall Street Journal de que o Irã retomou a produção de mísseis balísticos em instalações subterrâneas, utilizando componentes previamente estocados. Segundo o jornal, autoridades árabes e israelenses avaliam que o conflito pode se prolongar por um período maior do que o inicialmente esperado.

Na véspera, o Wall Street Journal informou ainda que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu alertas de assessores de que uma eventual guerra contra o Irã poderia se estender até 2029. A informação contraria as declarações recentes de Trump, que havia sugerido o encerramento do conflito logo após as eleições de meio de mandato, previstas para novembro.

Negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o petróleo Brent para novembro fechou em alta de 6,34%, a US$ 107,63 o barril, no maior nível desde maio de 2026.

PPI em linha, mas temor inflacionário pesa

Outro fator que reforçou a perspectiva de juros elevados foi o índice de preços ao produtor (PPI, em inglês), que avançou 0,4% em agosto, após um aumento revisado para cima de 0,1% em julho, informou nesta quinta-feira o Departamento do Trabalho dos EUA.

O dado veio em linha com a mediana de economistas consultados pela Reuters.

Nos 12 meses até agosto, os preços ao produtor avançaram 5,4%, após alta de 4,8% em julho.

Os preços da energia subiram 4,2% no mês uma vez que as hostilidades renovadas entre os Estados Unidos e o Irã impulsionaram os preços do petróleo.

Apesar de estar dentro do esperado, após o PPI a aposta de alta nos juros pelo Fed na reunião de setembro saiu de cerca de 60% na ferramenta Fed Watch, do CME Group, para 73,1%, por volta das 17h (horário de Brasília).

Na avaliação do economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, o resultado chega em um momento de maior cautela do mercado com a inflação, após o discurso mais hawkish de Kevin Warsh em Jackson Hole e a disparada do petróleo, que já opera acima de US$ 107 o barril em meio à crise no Oriente Médio.

“Combinado ao payroll de agosto, que veio bem acima do esperado, o dado reforça a leitura de que o Fed segue com pouco espaço para relaxar o discurso sobre inflação, mantendo viva a possibilidade de uma alta de juros nas próximas reuniões”, diz.

O Bank of America (BofA) afirma que os próximos dados de inflação dos Estados Unidos devem reforçar a percepção de que o avanço no controle dos preços segue lento. A instituição prevê alta de 0,22% para o núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) e de 0,24% para o núcleo do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE, em inglês) em agosto.

Na avaliação do banco, o resultado deve sustentar a possibilidade de uma nova alta de juros pelo Federal Reserve em setembro. Para os estrategistas da instituição, a reação do banco central norte-americano continuará sendo o principal vetor para os ativos financeiros.

Treasuries disparam

Após um programa de recompra de títulos amplamente acompanhado, o Departamento do Tesouro adquiriu menos títulos do que havia indicado na quarta-feira.

O rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em 10 anos — principal referência para empréstimos hipotecários — subiu mais de 11 pontos-base, atingindo 4,954%. Esse é o nível mais alto desde 26 de outubro de 2023, quando o T-bond de 10 anos chegou a 4,989%.

O rendimento do título do Tesouro de 2 anos, que é mais sensível às decisões de curto prazo do Fed, subiu mais de 13 pontos-base e atingiu uma alta de 4,56%, seu nível mais alto desde julho de 2024.

O rendimento dos títulos do Tesouro de 30 ano, que acompanha os riscos geopolíticos mais amplos, subiu mais de 8 pontos-base, para 5,368%.

Perguntas frequentes

Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.

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Larissa Monteiro

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